Agenda Imagens do Povo

11 de jan de 2010

Tripalium, por Chapolin

Entrevista por Alexandre Silva


O autor


Dalton Veiga dos Santos, mais conhecido como Chapolin, tem 27 anos e há 3 anos mora numa ocupação da Zona Portuária do Rio, chamada Flor do Asfalto.
Chapolin está envolvido em movimentos de ocupações desde o Chiquinha Gonzaga (referência de ocupação aqui do Rio, que fica na região da Central), há 7 anos atrás e
também participa de atividades de reciclagem e reaproveitamento de materiais e alimentos, que garantem a sustentabilidade da comunidade onde vive.
Descrente do sistema de trabalho utilizado pela sociedade atual, Chapolin se considera um Anarcopunk - que tem sua filosofia baseada na expressão “Faça você mesmo!” - e desenvolveu um meio de sobrevivência independente, publicando suas produções literárias, pinturas e colagens e que têm sua divulgação feita na rua, propondo a aquisição desses produtos através de troca, da forma de escambo. Essa sua vivência com formas alternativas de trabalho foi decisiva na escolha do tema do projeto que está desenvolvendo para a conclusão do curso de fotografia da Escola de Fotógrafos Populares.


O projeto


Meu projeto tem o nome de Tripalium, que significa o instrumento de tortura escrava composto por três paus e origem da palavra trabalho.
Para o projeto, tenho fotografado trabalhadores da construção civil e, contrapondo a esse sistema de trabalho que considero injusto, estou fotografando também os malabaristas de sinal que ficam mangueando (que na origem popular da palavra significa correr atrás do próprio sustento à margem de uma estrutura) pelas ruas do Rio.
Uma vez, numa aula do Dante na Redes (Rede de Desenvolvimento da Maré), vi exposta num quadro a estrutura de uma pirâmide que indicava que 2% da população era da burguesia e 40% de trabalhadores. Fiquei imaginando aonde estaria o resto dessa grande parcela da população “ociosa”. Essa indagação produziu em mim um start e pensei que poderia relacionar essas faixas da pirâmide através do contraponto das formas de trabalhos que eu identificava ao ver vários serviçais da construção civil, uniformizados, completamente iguais, os malabaristas do sinal e a figura do patrão, normalmente associada à imagem da caneta.
Então, ao desenvolver esse meu projeto, penso em como posso melhorar todas as minhas formas de linguagem, minha comunicação, e valorizar um grupo de pessoas que é casa vez mais marginalizado, além de desconstruir e indagar sobre essa forma primitiva de trabalho.


Veja a galeria virtual com algumas fotos do projeto do Chapolin

1 comentários:

Muito bom o trablho. Parabéns grande Chapolim

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