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7 de out de 2010

Favela que me viu crescer - Francisca Mandú da Silva, a Dona Chiquinha


Foto Kênia Cristina

Por Léo Lima


Dona Chiquinha mulher batalhadeira de garra e de muita fibra, católica fiel, nascida em 18 de março de 1934, natural de Natal - RN, onde estudou até a 2ª série. Sua infância foi muito difícil, já que trabalhava nas lavouras do sertão do nordeste, onde morava com seus 22 irmãos e seus pais. Casou-se aos13 anos com o senhor Francisco Mandú.


Dona Chiquinha. Foto: Léo Lima

Contra a vontade de seu pai, ela veio para favela do Jacarezinho com seus 14 anos, quando ainda se chamava favela da Titica, lugar onde seu marido já morava. Quando Dona Chiquinha chegou por aqui (ela não soube dizer por que o nome da favela mudou) não havia nada a não ser mato, valas, barracos de madeira e zinco. Quando chovia inundava tudo, o chão se cobria de lama e a água ficava até a cintura. Água tratada não tinha e muito menos transporte, os moradores saiam às ruas com latas na cabeça para pegar água na rua conhecida como Largo dos tanques, local onde hoje se localiza o ponto de Kombi 222.

Dona Chiquinha rezando. Foto: Léo Lima
Dona Chiquinha sempre foi dona de casa e sustentava sua família com o suor do trabalho de seu falecido marido. A vida inteira foi assim, tudo com muita batalha. Amamentou diversas crianças que na época eram de rua e, sempre quando podia, dava de comer e beber a todos. Ela, junto ao seu marido, atravessou tempos difíceis e a favela era tão descriminada quanto é hoje e mesmo assim nunca deixaram de ajudar os outros, inclusive seus 9 filhos que tivera na própria favela.


Foto: Léo Lima

Hoje, com seus 76 anos, ela muito sorridente adora fazer comida, cuidar de seus bisnetos, orar, dançar, fazer seu café da manhã, regar suas plantinhas, recolher latinhas na rua e vender-las para comprar alimentos. Dona Chiquinha conta com a renda de um salário mínimo por mês da pensão de seu falecido marido e a ajuda de seus filhos. Ela fala com muita emoção que a porta de sua casa estará sempre aberta para os que estiverem passando fome ou sede, mulher que é muito considerada, respeitada por todos com muito carinho.


Foto Léo Lima
 
Não tem o que reclamar da favela. Afinal são mais de 62 anos de Jacarezinho. Porém, ela confessa que não gostava de morar na favela antigamente porque tudo faltava, contudo ela faz questão de ressaltar  que ninguém nunca faltou com o respeito a ela, e até hoje vive aqui por seus filhos, netos e bisnetos, sem nunca ter arrumado confusão com ninguém.


Uma das maiores vontades de Dona Chiquinha é visitar seus parentes que moram em Natal no Rio Grande do Norte, que devido a sua condição financeira, essa vontade ainda não pode passar. Mas ela não se queixa disso e manda um recado para aqueles que ainda não conhecem sua casa e muito menos a favela do Jacarezinho:


... “Se quiser vir, pode vir que a porta está aberta, o meu coração está aberto. Pode entrar na minha casa em nome de Jesus. O barraco é feio, mas o coração é rico”...

Confira o vídeo sobre D. Chiquinha e sua relação de amor com o Jacarezinho, produzido pelo Coletivo Favela em Foco.

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